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Renascimento Cultural e Científico

quarta-feira, 24 de agosto de 2011
O Renascimento Cultural foi um movimento de renovação intelectual e artística que marcou a transição dos valores que predominavam na Idade Média europeia para a mentalidade burguesa da Idade Moderna.
O florescimento do comércio, o crescimento das cidades e a formação dos Estados nacionais dariam à decadente sociedade feudal uma nova dinâmica. As ideias de lucro, enriquecimento e prosperidade, próprias da burguesia em ascensão, contribuíam para despertar o espírito de competição. A burguesia estimulou o florescimento de uma nova cultura, já que ela poderia garantir-lhe prestígio e uma posição compatível com o poder econômico que estava alcançando. Mas além da burguesia, príncipes e até papas também se destacaram na tarefa de incentivar, patrocinar e proteger os artistas, sendo, por isso, chamados de mecenas.


O aperfeiçoamento e a utilização da imprensa pelo alemão Johannes Gutenberg por volta de 1440, acelerou a produção e a circulação das obras literárias. Alguns fatores explicam o pioneirismo italiano: durante a Baixa Idade Média, após as Cruzadas, a Itália se manteve como um centro ativo do comércio, o que possibilitou o desenvolvimento de uma poderosa classe de mercadores que permitiu a integração de muitos italianos com os grandes centros urbano-comerciais, como Constantinopla. Aliás, depois que os turcos otomanos tomaram Constantinopla, em 1453, muitos intelectuais e artistas bizantinos se refugiaram nas cidades italianas. Podemos considerar também o fato de as obras da Antiguidade greco-romana estarem presentes muito mais na península Itálica do que em qualquer outra região europeia.


Da Itália, o movimento renascentista expandiu-se para vários países da Europa, atingindo Holanda, França, Inglaterra, Portugal, Espanha, Suíça, Polônia. Em todos esses países encontramos grandes nomes ligados às artes, às ciências, à literatura e à filosofia.
O pensamento renascentista se opunha a toda forma de pensar da Idade Média e por isso combatia o teocentrismo e o misticismo característicos do medievo europeu. Dessa forma, o Renascimento apresentou como elementos fundamentais o humanismo – que propunha a substituição do teocentrismo pelo antropocentrismo (o homem como o centro do mundo) –, o racionalismo – o uso da razão, e não da fé, para explicar os fenômenos –, o naturalismo – em oposição ao espiritual –, o experimentalismo – proposta de confirmação científica dos fenômenos ou descobertas através da experiência –, o universalismo – a busca permanente do conhecimento total, ou seja, dos vários setores do conhecimento –, o hedonismo – valorização dos prazeres da vida – e o individualismo, que consiste na supervalorização da ação individual e na consideração das diferenças individuais entre as pessoas para, em última análise, despertar o espírito de competição, de concorrência.

Os ideais renascentistas de harmonia e proporção conheceram o apogeu nas obras de Rafael, Leonardo da Vinci e Michelangelo, durante o século XVI.

Houve também progressos na medicina e anatomia, especialmente após a tradução, nos séculos XV e XVI, de inúmeros trabalhos de pensadores da Antiguidade como Hipócrates e Galeno. Entre os avanços realizados, destacam-se a inovadora astronomia de Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Johannes Kepler. A geografia se transformou graças aos conhecimentos empíricos adquiridos através das explorações e dos descobrimentos de novos continentes e pelas primeiras traduções das obras de Ptolomeu e Estrabão.

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A Escola de Welington

sexta-feira, 8 de abril de 2011
As escolas são poucos seguras. É fato. No entanto, no massacre ocorrido no Rio de Janeiro ontem, não há culpados.Foi inevitável. Uma tragédia sem precedentes.


Meu coração está de luto. A escola é meu habitat. E isso me fez refletir sobre várias coisas mas quero comentar dois aspectos. Primeiro é a particularidade do fato. Jovens entrando em escolas ou cinemas, atirando como se exorcizassem seus demônios, eram praticamente exclusividade dos norte-americanos. Coisas de primeiro mundo? Seria um ônus do crescimento econômico do país?

Em segundo lugar, fiquei pasma com a carta suicida de Welington. Como professora foi impossível não reparar na elaboração da carta. O trecho que li não tinha erros de português. Talvez um ou outro problema de acentuação. Nada grave. Ele usou palavras como vestimenta e fornicador em frases bem elaboradas para revelar como desejava que procedessem após a sua morte, que era certa. Ele sabia o que estava fazendo e quais seriam as consequências. Se a carta não é uma cópia, parabenizo a Escola Tasso da Silveira, onde Welington estudou. Fizeram um bom trabalho.


Lamento que Welington talvez não tenha prestado a devida atenção na frase que está inscrita num grande quadro, ao lado da sala dos professores:  Confiança em si próprio é o primeiro segredo do êxito.


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TERREMOTOS

sábado, 19 de março de 2011
Estou ainda profundamente impressionada com a situação do Japão. No link abaixo é possível ter uma noção da destruição causada pela natureza. É assustador, é desolador. Mas o que mais me impressiona é a maneira como os japoneses enfrentam as calamidades. São organizados, determinados, pacientes. Uma lição de vida para nós ocidentais imediatistas.

http://www.liberation.fr/seisme-japon-mars-2011-avant-apres.html

Segue abaixo um texto do professor Ricardo Sayeg sobre terremotos.

O terremoto seguido de tsunami que atingiu o Japão na última madrugada de sexta-feira, 11 de março de 2011, foi o maior que os japoneses já presenciaram. O país já se acostumou, há muito tempo, a conviver com desastres naturais. Estes últimos, entretanto, causaram enorme destruição e muitas perdas humanas. Foi o sétimo terremoto mais violento do mundo – 8,9 graus na escala Richter. Sua força foi tamanha que chegou a deslocar dez centímetros o eixo de rotação do planeta!



Este, porém, não foi o maior abalo já registrado pela humanidade. Tudo indica que o terremoto que causou mais mortes tenha sido registrado em Shensi, na China, no ano de 1556. Ele teria matado cerca de 830 mil pessoas no país mais populoso do mundo. Todavia, ele não foi o de maior magnitude. O maior já registrado até hoje teria ocorrido no Chile, em 1960, de 9,5 graus na escala Richter, causando a morte de aproximadamente 5.700 pessoas e deixando cerca de 2 milhões de feridos. Outro abalo de enorme magnitude ocorreu no Alasca, em 1964, e atingiu 9,2 graus, mas como teria ocorrido em uma área desabitada não causou tantas perdas humanas ou materiais.

Durante o anúncio de um terremoto pela mídia sempre é mencionada a escala Richter. Essa escala foi criada em 1935 pelo cientista norte-americano Charles F. Richter, um dos pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia. A escala se inicia no grau zero e é infinita (pelo menos do ponto de vista teórico). Contudo, nunca foi registrado um terremoto de grau 10 na escala Richter. Ela se baseia num princípio logarítmico, ou seja, um terremoto de magnitude 6, por exemplo, produz efeitos dez vezes maiores que um de magnitude 5, e assim, sucessivamente.

O poder de destruição de um abalo sísmico não está relacionado apenas à sua magnitude. Outros fatores também influenciam como, por exemplo, a profundidade do hipocentro (ponto interior da crosta terrestre onde ocorre a fratura principal), as condições geológicas do terreno onde ele ocorre, a estrutura de engenharia das edificações, a proximidade de centros populosos, entre outros fatores. Um exemplo disso foi o terremoto ocorrido no Haiti, em janeiro de 2010. Naquela oportunidade, o tremor de terra de magnitude 7,0 na escala Richter atingiu o país, provocando uma série de feridos, desabrigados e mortes. Diversos edifícios desabaram, inclusive o palácio presidencial da capital, Porto Príncipe.

O terremoto que se abateu sobre o Japão não pegou a população despreparada. Os japoneses recebem treinamentos constantes e muitas edificações são construídas para suportar os abalos. Tomara que esse país, cuja população já enfrentou inúmeras crises e problemas, consiga se recuperar o mais rápido possível dessa terrível tragédia!
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Ricardo Barros Sayeg é professor do Colégio Paulista, mestre em Educação pela USP, formado em História e Pedagogia pela mesma universidade.



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Volta às aulas...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Desejo a todos os alunos e professores um ano letivo de muito sucesso e muitas conquistas! Certamente conseguiremos nossos objetivos com perseverança, determinação e organização. Esse texto traz algumas dicas para colocarmos em prática em 2011.

Dicas de estudo

O jovem que deseja preparar o seu futuro tem que dedicar tempo aos estudos. É desejável dedicar-se ao estudo individual por 10 horas semanais, no mínimo e com regularidade de horários. É comprovado que alunos com hábitos regulares de estudo apresentam desempenho muito superior aos colegas de capacidade intelectual semelhante mas com rotina desorganizada em relação aos estudos.
Assim, o estudante que obedece aos horários de estudo aprende a disciplinar-se, não é escravo de caprichos ocasionais e não cede facilmente aos “convites” pouco ou nada importantes. Uma pessoa metódica poupa tempo e energia e certamente colherá os frutos dessa regularidade.
Há sempre jovens pouco estudiosos e desorganizados que gostam de criticar os colegas mais determinados como se estudar fosse feio ou perda de tempo. Vale lembrar que os projetos pessoais precisam ser respeitados e que os objetivos traçados só serão atingidos com perseverança e determinação. Perder tempo é ter que contar com a sorte ou esperar que outras pessoas resolvam os SEUS problemas.
Então, aponto algumas dicas para você ter sucesso neste ano letivo:
• Descubra motivos de interesse no trabalho escolar.
• Seja autoconfiante. Valorize suas capacidades, não as suas limitações.
• Peça ajuda. Aceite conselho dos professores, dos coordenadores, dos familiares.
• Não se deixe vencer nos momentos de desânimo. Seja persistente.
• Tente compreender antes de decorar.
• Faça revisões periódicas.
• Relacione as matérias novas com os conhecimentos já adquiridos.
• Seja assíduo e pontual. Leve sempre o material completo das disciplinas.
• Escute o professor com atenção e faça anotações para rever depois.
• Participe dos debates feitos em sala de aula. Faça perguntas oportunas e bem elaboradas.
• Mantenha uma relação cordial com os professores.

Como estudar História
1- Situe o fato no tempo e espaço: Saber quando e onde ocorreu determinado fato histórico é condição elementar para saber história.
2- Analise o contexto histórico: contexto histórico é o conjunto de acontecimentos que cerca o fato em questão. É o ponto mais importante do roteiro, pois mostra que não existem fatos isolados. A noção do contexto histórico rompe com a decoreba de conteúdos.
3- Conheça os antecedentes: antecedentes são as causas de determinado fato histórico, e estão interligados ao contexto histórico. As causas permitem entender os motivos que levaram ao fato.
4- Compreenda o fato: isto é, entenda o evento propriamente dito, através de suas características e seu significado histórico
5- Perceba os seus desdobramentos: desdobramentos são as consequências do fato estudado. Conhecer as consequências permite estabeleceremos um gancho para analisar o próximo fato histórico.

“Nós podemos mais do que imaginamos”


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Independência do Brasil: Mito ou Realidade

segunda-feira, 6 de setembro de 2010


Amanhã é feriado e muitas pessoas ainda não sabem o motivo pelo qual não iremos ao colégio ou não precisaremos trabalhar (a maioria não). No dia 7 de setembro comemoramos a Independência do Brasil e o rompimento político com Portugal. Leia o texto do professor Ricardo Sayeg para ficar informado sobre o assunto. 


No próximo dia 7 de setembro comemoraremos a independência do Brasil. Essa data é muito importante para o povo do nosso país, mas poucos cidadãos sabem o que de fato aconteceu naquele longínquo 1822. Existem muitos mitos sobre a independência brasileira, alimentados pela mídia ou pelo senso comum.
O primeiro deles é que a independência foi um fato isolado, um acontecimento heróico, que teve na liderança de Dom Pedro a razão principal de sua existência. Muitos se esquecem de localizar a independência do Brasil como mais um capítulo da crise do Antigo Regime europeu e do antigo sistema colonial. Muitos países latinos americanos já haviam obtido a independência naqueles tempos. Além disso, desde o século XVIII, ocorriam diversas revoltas contra a metrópole portuguesa no Brasil, como a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana, que colocavam em xeque o poderio português na sua colônia americana. 
Antes mesmo da chegada da corte portuguesa, em 1808, já se pensava na emancipação de nosso país. Em 1815, o Brasil foi elevado à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves, e esse fato político, por si só, determinava uma nova condição para o país. Seguindo esse viés, o ano de 1822 foi uma etapa natural do processo de independência de uma nação submetida ao jugo de um povo europeu.
Talvez essa visão heróica dos acontecimentos que envolveram o 7 de setembro tenha sido eternizada pela pintura de Pedro Américo: Independência ou Morte, exposta no Museu Paulista. O quadro nos mostra a figura de Dom Pedro ao centro, num ato bravo, declarando nossa emancipação política. Entretanto, é por vezes desconsiderado o fato de que o quadro foi uma encomenda do Imperador Pedro II, que queria eternizar aquele momento-chave para a história brasileira. Dizem que Pedro Américo teria se inspirado em Ernest Meissonier, o que era comum aos pintores da época. O quadro de Pedro Américo é quase uma cópia de Napoleão III na Batalha de Solferino.
O segundo mito sobre a independência brasileira é o de que ela teria alterado muitas das características políticas, econômicas e sociais existentes na época. Isso não é verdade. A independência serviu para consolidar o modelo monárquico, no qual o chefe de estado e de governo era o filho do rei português. Além disso, consolidou um modelo agroexportador, baseado na mão de obra escrava negra, que resultava numa sociedade desigual, altamente concentradora de riquezas.
O terceiro mito é o de que não houve nenhuma participação popular no processo de independência. Isso também não é verdade. Houve guerras sim, em várias partes do país. Em províncias distantes do centro sul do Brasil, como Bahia, Cisplatina, Grão-Pará e Maranhão, os conflitos foram intensos e houve muitas mortes, devido ao fato de o governo português se envolver diretamente no conflito ou contratar mercenários para realizar as guerras em seu nome.
Enfim, o 7 de setembro se aproxima e devemos utilizar essa data para pensar em nossa nacionalidade, naquilo que produzimos de positivo para o mundo, mas também nos nossos problemas e lutar para solucioná-los a fim de deixarmos um país mais digno e honesto para as futuras gerações. As eleições virão logo em seguida e essa é uma oportunidade magnífica para elegermos aqueles que de fato se comprometem para a construção de um excelente país para todos os brasileiros.



 por Ricardo Barros Sayeg*
*Ricardo Barros é professor de História do Colégio Paulista (COPI). Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Formado em História e Pedagogia pela mesma universidade.

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ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA - 13 DE MAIO

quinta-feira, 13 de maio de 2010
Pouco se fala sobre o 13 de maio. Mas é preciso trazer à memória, fatos e acontecimentos importantes da nossa História. Aproveito então para postar um texto sobre a abolição da escravidão no Brasil e as comemoraçãoes do dia 13 de maio.

O SIGNIFICADO DO 13 DE MAIO
Ricardo Barros Sayeg*

O dia 13 de maio de 1888 marcou oficialmente o fim da escravidão no Brasil, através de uma lei assinada pela Princesa Isabel, durante uma viagem de Dom Pedro II ao exterior. Naquela oportunidade houve uma série de comemorações, principalmente no Rio de Janeiro, capital do Império. Vários ex-escravos saíram às ruas comemorando o feito. É verdade que em várias regiões do país o trabalho escravo persistiu e só foi abolido no início do século XX. Ainda nos dias de hoje, volta e meia a imprensa nos dá informações sobre a existência do trabalho escravo em várias regiões do país.

O movimento negro, então, resolveu abolir essa data e comemorar a negritude no dia 20 de novembro, denominado Dia da Consciência Negra. Razão mais que justa, pois, de fato, o 13 de maio foi uma data que ocorreu de “cima para baixo”, sem a participação dos principais interessados no tema, apesar de haver no Brasil um movimento abolicionista bem forte naquele período, principalmente nas cidades mais importantes do sudeste do país.

O Dia da Consciência Negra não existe por acaso. Em 20 de novembro de 1695, Zumbi, principal liderança do Quilombo dos Palmares – a maior comunidade formada por escravos fugitivos das fazendas no interior de Alagoas – foi morto em uma emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que resultou no início da destruição daquela comunidade. Portanto, comemorar o Dia da Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva na memória coletiva essa figura tão importante para a história do Brasil e para o povo negro em especial. Não somente a imagem do líder, mas também a sua importância na luta pela libertação da escravidão e na melhoria das condições de vida para esse povo.

Entretanto o 13 de maio de 1888 também tem seu significado. Liberal, a Princesa Isabel apoiava abertamente o movimento abolicionista. Ela chegou a amparar artistas e intelectuais que atuavam em favor do movimento da abolição da escravidão no Brasil. Muitos desses artistas e intelectuais apoiavam também a criação do sistema republicano no Brasil. Ela chegou a financiar a alforria de alguns escravos e dava guarida a muitos deles na sua casa em Petrópolis.

Joaquim Nabuco, um dos grandes políticos do Império, afirmava que a escravidão no Brasil era "a causa de todos os vícios políticos e fraquezas sociais; um obstáculo invencível ao seu progresso; a ruína das suas finanças, a esterilização do seu território; a inutilização para o trabalho de milhões de braços livres; a manutenção do povo em estado de absoluta e servil dependência para com os poucos proprietários de homens que repartem entre si o solo produtivo".

No dia 13 de maio de 1888 aconteceram as últimas votações de um projeto de abolição da escravidão no nosso país. A regente então, desceu de Petrópolis, cidade serrana, para aguardar no Paço Imperial o momento de assinar a Lei Áurea. Usou uma pena de ouro especialmente confeccionada para a ocasião, recebendo a aclamação do povo do Rio de Janeiro. O Jornal da Tarde, do dia 15 de maio de 1888, noticiou que "o povo que se aglomerava em frente do Paço, ao saber que já estava sancionada a grande Lei, chamou Sua Alteza, que aparecendo à janela, foi saudada por estrepitosos vivas."

É bem verdade que a Abolição da escravidão representou também a queda da monarquia no Brasil. Em 15 de novembro de 1889, o Império sucumbia, principalmente pela falta de apoio político daqueles que até então eram os únicos a sustentarem politicamente o Império: os grandes produtores rurais donos de escravos.

O 13 de maio, entretanto, não deve ser esquecido. Ele tem um lugar de enorme importância na história desse país e do povo brasileiro.

 
*Ricardo Barros Sayeg é Mestre em Educação, Bacharel em História e Pedagogia pela Universidade de São Paulo e Professor de História do Colégio Paulista.


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DIA DAS MÃES

quinta-feira, 6 de maio de 2010
Mais uma preciosa indicação da Lilian Nascimento do Núcleo de Mídias Sociais.

O DIA DAS MÃES
Ricardo Barros Sayeg
Quando em 1905, Anna Jarvis, uma norte-americana da Virgínia Ocidental perdeu sua mãe, entrou num estado profundo de depressão. Preocupadas, algumas amigas resolveram então perpetuar a memória de sua progenitora organizando uma festa. Anna quis que a festa fosse estendida a todas as mães. A idéia era fortalecer os laços familiares entre os membros das famílias e o respeito dos filhos por seus pais. No estado da Virginia Ocidental, a primeira comemoração oficial só teria ocorrido em 26 de abril de 1910, quando Willian E. Glasscock, governador do estado, incorporou a data ao calendário oficial.

Nos Estados Unidos da América as primeiras sugestões em favor da criação de um dia dedicado ás mães foram realizadas em 1872 pela escritora Julia Ward Howe, autora do Hino de Batalha da República dos Estados Unidos.

As comemorações em homenagem às mães, todavia, são mais antigas ainda. Na entrada da primavera na Grécia antiga, havia uma festa dedicada à Réia, mãe dos deuses do Olimpo. Réia, esposa e irmã de Cronos, teria dado luz à Deméter, Hades, Hera, Héstia, Poseidon e Zeus. Era uma deusa associada à fertilidade.

No século XVII, a Inglaterra dedicou o quarto domingo da Quaresma às mães das operárias inglesas. Era o chamado “Mothering Day”, quando as trabalhadoras inglesas podiam ficar em casa ao lado de suas progenitoras. Nesse dia era comum que as operárias fizessem o “mothering cake”, um bolo feito em homenagem às mães.

Anna nunca quis que a data fosse usada para que os comerciantes e fabricantes tivessem lucros, mas infelizmente o desejo de Anna não se concretizou. No Brasil, por exemplo, o Dia das Mães é responsável por um enorme volume de vendas, só perdendo para o Natal.

Em 1914, o presidente norte-americano Woodrow Wilson unificou a celebração do Dia das Mães em todos os estados, estabelecendo que a data deveria ser comemorada no segundo domingo do mês de maio. Em pouco tempo mais de 40 países aderiram à comemoração.

Durante toda a vida, Anna Jarvis lutou para que as pessoas reconhecessem a importância das mães. Ela dizia frequentemente que as pessoas não reconheciam o amor que recebiam de suas progenitoras. Ironicamente Anna nunca chegou a ser mãe. Morreu em 1948, aos 84 anos e recebeu muito reconhecimento em vida pela criação da data.

No Brasil, a primeira comemoração do dia das Mães ocorreu em 12 de maio de 1918, organizada pela Associação Cristã de Moços. Em 1932, o presidente Getúlio Vargas oficializou a data no segundo domingo do mês de maio. Em 1947 a data foi incorporada ao calendário oficial da Igreja Católica.

Nesse dia 9 de maio comemoremos nossas mães, afinal, como dizia Sófocles, autor grego: “os filhos são para as mães as âncoras da sua vida”.


*Ricardo Barros Sayeg é Professor de História do Colégio Paulista, Mestre em Educação pela Universidade de São Paulo, formado em História e Pedagogia pela mesma universidade.






O mais importante no dia das mães  é que você filho abrace forte sua mãe e fale para ela o quantro você a ama. Esse, com certeza, será seu melhor presente.
E nos outros dias do ano, faça a mesma coisa!
Feliz dia das mães para todas as mães. Principalmente para a minha: Dona Helena, eu te amo.


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REVOLTAS NA REPÚBLICA VELHA

terça-feira, 4 de maio de 2010
O CANGAÇO

     A história do Cangaço inicia-se a partir de 1870 e vai até 1940. As causas que se relacionam ao Cangaço são os períodos de seca e a miséria que atingia nestes momentos até os jagunços dos coronéis (assalariados do crime), que para fugirem do autoritarismo do coronel e da miséria da seca se revoltavam e  se uniam, formando os temíveis bandos de cangaceiros que, para os seus membros, não passava de uma forma de vida, inclusive mais honrosa do que a da elite dominante. Estes cangaceiros tinham as fazendas dos coronéis como alvo principal para os seus saques.
     Por atacarem a base política da República Velha, estes cangaceiros tiveram que enfrentar as "volantes" formadas por policiais da Guarda Nacional e pelo exército.
     O maior e mais temível bando de cangaceiros foi o de Lampião que, contando com sua mulher Maria Bonita (no cangaço as mulheres participavam em pé de igualdade com os homens) e seus "cabras", impôs o medo à oligarquia nordestina e a quem a servia.

                                       (NÃO FALEI QUE ELE ERA UMA GRACINHA??)
   
O povo, por sua vez, temia os cangaceiros, mas apoiava suas ações de cabras machos. O fim do Cangaço inicia-se com a morte de Lampião, em 1938, e termina definitivamente com a morte do último cangaceiro, Corisco, seu companheiro e líder de bando.


GUERRA DE CANUDOS

     Em Canudos, tudo era de todos, a divisão do trabalho era de acordo com o sexo e a idade, o fruto da produção era dividido de acordo com a necessidade de cada família. O vício, o roubo e a prostituição foram banidos desta sociedade e o sentimento religioso tido como a maior posse que se havia de ter.     Este estado “socialista” bem dentro da área de domínio da oligarquia mais atrasada do país, o Nordeste, exigiu uma raivosa ofensiva das tropas do governo de Prudente de Moraes para destruir aquela comunidade.   
    
     O governo, com o auxílio da imprensa, vendia a idéia de que os seguidores de Antônio Conselheiro eram fanáticos religiosos extremamente perigosos que poderiam representar uma ameaça para a sociedade brasileira no futuro.
      As tropas federais só conseguiram derrotar a brava resistência do povo após a terceira expedição e seu derradeiro fim foi muito bem descrito por Euclides da Cunha em sua obra Os Sertões, página 476:

"Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a
história, resistiu até o esgotamento completo... caiu
no dia 5 de outubro de 1897, ao anoitecer, quando caíram
seus últimos defensores... eram quatro apenas:
um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente
dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.
Todos morreram, homens, mulheres, velhos e crianças,
aproximadamente entre 25 e 30 mil vidas destruídas
em nome da manutenção da exploração
econômica e social da massa trabalhadora brasileira
pela elite proprietária”.



GUERRA DO CONTESTADO

     Durante o governo de Wenceslau Brás, salvo pelo início do surto industrial da Primeira Guerra, ocorreu a mais importante rebelião camponesa do Sul do país, a Revolta do Contestado, na região entre os estados do Paraná e Santa Catarina, com terras férteis e muita erva mate e madeiras de lei. Os romeiros, vindos de diversas localidades, seguiam o monge João Maria e seu sucessor José Maria, que pregava o fim da República e a implantação da monarquia de origem divina. Os posseiros haviam sido expulsos da terra por fazendeiros e empresas colonizadoras multinacionais ou eram desempregados da construção de ferrovias na região.
    
     Lutavam conscientemente pela posse das terras ("nóis não tem direito de terra, é tudo para a gente da Oropa"), tendo que enfrentar o exército do governo brasileiro, a Guarda Nacional, os jagunços e, pela primeira vez no Brasil, atacados pela aviação de guerra, que estava a serviço dos interesses dos coronéis e das empresas colonizadoras (madeireiras) multinacionais.
     A destruição das "Vilas Santas" e a morte de milhares de camponeses foi justificada, perante a sociedade brasileira, como uma luta contra fanáticos, degenerados e violentos rebeldes.



REVOLTA DA CHIBATA

     Na noite de 22 de novembro de 1910, estoura a Revolta da Chibata, quando o marinheiro João Cândido, o almirante negro, assumiu o comando do porta-aviões Minas Gerais e outros marujos assumiram o controle de outras belonaves, o São Paulo, o Bahia e o Deodoro, apontando seus canhões para pontos estratégicos da cidade do Rio de Janeiro.
     Os marinheiros só queriam o fim dos castigos corporais na Armada e, com o apoio da oposição e parte considerável da população carioca, o presidente Hermes da Fonseca e o Parlamento cederam às exigências.

          Porém, como em nossa história jamais uma revolta popular havia triunfado, o governo não perdoou a ousadia daqueles marujos "sem cultura" e "sem responsabilidades". Ignorou-se a anistia, prendendo e desterrando para a Amazônia seus principais líderes. Os poucos marinheiros que não morreram foram absolvidos em julgamento dois anos depois.



REVOLTA DA VACINA

     A situação do Rio de Janeiro, no início do século XX, era precária. A população sofria com a falta de um sistema eficiente de saneamento básico. Este fato desencadeava constantes epidemias, entre elas, febre amarela, peste bubônica e varíola. A população de baixa renda, que morava em habitações precárias, era a principal vítima deste contexto.
     Preocupado com esta situação, o então presidente Rodrigues Alves colocou em prática um projeto de saneamento básico e reurbanização do centro da cidade. O médico e sanitarista Oswaldo Cruz foi designado pelo presidente para ser o chefe do Departamento Nacional de Saúde Pública, com o objetivo de melhorar as condições sanitárias da cidade.
     A campanha de vacinação obrigatória é colocada em prática em novembro de 1904. Embora seu objetivo fosse positivo, ela foi aplicada de forma autoritária e violenta. Em alguns casos, os agentes sanitários invadiam as casas e vacinavam as pessoas à força, provocando revolta nas pessoas. Essa recusa em ser vacinado acontecia, pois grande parte das pessoas não conhecia o que era uma vacina e tinham medo de seus efeitos.
     A revolta popular aumentava a cada dia, impulsionada também pela crise econômica (desemprego, inflação e alto custo de vida) e a reforma urbana que retirou a população pobre do centro da cidade, derrubando vários cortiços e outros tipos de habitações mais simples.

    
     As manifestações populares e conflitos espalham-se pelas ruas da capital brasileira. Populares destroem bondes, apedrejam prédios públicos e espalham a desordem pela cidade. Em 16 de novembro de 1904, o presidente Rodrigues Alves revoga a lei da vacinação obrigatória, colocando nas ruas o exército, a marinha e a polícia para acabar com os tumultos. Em poucos dias a cidade voltava a calma e a ordem.

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O PRIMEIRO DE MAIO

sábado, 1 de maio de 2010
Recebi um e-mail muito simpático da Lilian Nascimento, do Núcleo de Mídias Sociais e quero compartilhar com vocês. No e-mail ela relembra o Dia do Trabalho, comemorado hoje em muitos lugares do mundo e sugere um texto do professor Ricardo Barros Sayeg. É fato que muitos alunos não conhecem o porquê da maioria dos feriados. Eles sabem que, nesses dias, poderão dormir até mais tarde e que não precisarão ir à escola. No entanto é muito importante estar ciente dos fatos que originaram os feriados já que são reflexo de momentos significativos vividos no passado e que, de alguma forma marcaram o processo histórico de um povo, de uma sociedade, de uma nação ou de um grupo social.


Você sabia que apesar do Dia do Trabalho ser comemorado no dia 1º de maio, nos Estados Unidos a celebração é só em setembro devido a uma manifestação ocorrida em Chicago?

E que mesmo sendo um feriado nacional no Brasil, a Bahia ficou 55 anos sem folga porque os governantes acreditavam que era uma contradição não trabalhar no dia do Trabalho?


As origens do Primeiro de Maio

Professor Ricardo Barros Sayeg
Primeiro de maio é o Dia do Trabalho. No Brasil, assim como em alguns países do mundo, é um feriado nacional. Um dia dedicado a festas, passeatas e reivindicações dos trabalhadores. Mas como ele teria surgido?

Em 1886, na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho. Dentre as principais reivindicações estavam a redução da jornada de trabalho de 13 para oito horas, melhores salários, descanso semanal remunerado e um período anual de férias. Nesse mesmo dia, ocorreu naquele País uma greve geral de trabalhadores. Os conflitos com a polícia se tornaram constantes a partir de então. Oito trabalhadores morreram nessas verdadeiras lutas de rua. Muitos foram presos e alguns foram enforcados em praça pública depois de julgamentos injustos, nos quais foram acusados de liderar as manifestações que tiveram início no dia 1° de maio.

No dia 4 de maio de 1886, novas manifestações tomaram conta das ruas de Chicago. Dessa vez, morreram doze protestantes e dezenas de pessoas ficaram feridas.


A escolha da data de 1° de maio foi feita pela Segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, em 1889. Naquela oportunidade, escolheu-se essa data para homenagear os trabalhadores mortos pela repressão policial nos Estados Unidos.

Apesar disso, os Estados Unidos comemoram o Dia do Trabalho na primeira segunda-feira de setembro. Além deste, outros poucos países têm suas datas próprias. Na Austrália comemora-se a data em duas ocasiões: na parte ocidental em 4 de março e na parte meridional em 7 de outubro.

Aqui no Brasil, o primeiro de maio é comemorado desde o ano de 1925, por decreto sancionado pelo então presidente Arthur Bernardes. De lá para cá, a data foi comemorada de diversas formas: em 1940, o presidente Getúlio Vargas utilizou o primeiro de maio para anunciar o novo salário mínimo. Em 1941, a data foi usada para marcar a criação da Justiça do Trabalho, que visava resolver os conflitos existentes entre os trabalhadores e seus patrões. Mas na Bahia, por 55 anos não se comemorou esta data em virtude da natureza contraditória da ocasião: o dia dedicado ao trabalho, é feriado. Só em 1980, Antônio Carlos Magalhães promulgou a data como o dia do descanso em todo o estado da Bahia

Hoje, perdeu-se um pouco do caráter reivindicativo do dia e o primeiro de maio é utilizado mais para as festas realizadas pelas organizações trabalhistas, ocasião em que são sorteados prêmios para os trabalhadores pelas principais centrais sindicais do país. Triste fim para uma data que teve origens tão nobres!


 *Ricardo Barros Sayeg é Professor de História do Colégio Paulista, Mestre em Educação pela Universidade de São Paulo, formado em História e Pedagogia pela mesma universidade.


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TEXTO PARA ESTUDO - CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Indomável Pernambuco

Quando o imperador mostrou seu lado autoritário, os pernambucanos tentaram criar um novo país no Nordeste: a Confederação do Equador.

por Mauro Tracco (adaptado pela professora)

Após a chegada da Corte portuguesa, em 1808, o Rio de Janeiro não teve do que reclamar. Dom João VI e seu séquito transformaram a cidade no centro do Império Português. Ela passou a receber impostos vindos das outras regiões do Brasil e a desfrutar de todas as vantagens do sistema colonial. Se antes os brasileiros odiavam o controle exercido por Lisboa, agora era a supremacia do Rio que causava indignação. Na região norte (que hoje chamamos de Nordeste), o ressentimento com a corte era enorme. As cidades de lá não viam vantagem em mandar tanto dinheiro para o sul. Entre as taxas, havia uma destinada a financiar a iluminação das ruas do Rio. Não é surpresa que ela tenha se tornado o grande símbolo da exploração.

Em nenhum lugar a revolta foi tão contundente como em Pernambuco. Entre 1817 e 1824, a província se manteve em estado de rebeldia constante, tornando-se uma pedra no sapato do rei português dom João VI e, depois, do imperador brasileiro dom Pedro I.

Após a independência, o Brasil precisava de novas leis. Em 1823, foi eleita uma Assembléia Constituinte, que se reuniu no Rio de Janeiro. Mas, em 12 de novembro, dom Pedro I ordenou seu fechamento. Os temores haviam se concretizado: o imperador não estava muito a fim de dividir seu poder. Na província de Pernambuco, a reação veio rápido e, em 13 de dezembro, as câmaras municipais de Recife e Olinda elegeram uma junta de governo. À frente dela estava Manuel de Carvalho. Veterano da Revolução de 1817, ele havia se refugiado nos Estados Unidos, onde se encantara com o grau de autonomia dos estados. Era isso o que muitos pernambucanos queriam para o Brasil. Mas, em 25 de março de 1824, o imperador entregou ao país uma nova Constituição. No texto, dom Pedro I estava acima do povo e de qualquer instituição. E era ele, claro, quem deveria escolher os presidentes das províncias.

Para Pernambuco, o imperador nomeou José Carlos Mayrink. Em meio à agitação na província, entretanto, o escolhido não teve coragem de assumir. Dom Pedro I mandou uma esquadra bloquear o porto de Recife enquanto o poder não fosse passado a Mayrink. Os pernambucanos continuaram irredutíveis até que, em junho, a frota teve de voltar ao Rio por causa de uma suposta ameaça de invasão portuguesa.

Com o fim do bloqueio, Manuel de Carvalho propôs que as províncias do norte se unissem para formar um país independente. Em 2 de julho de 1824, nascia a Confederação do Equador, inspirada nos Estados Unidos. Um dos membros mais destacados do movimento foi Frei Caneca. Com sua influência religiosa, ele conseguiu o apoio de Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, que aderiram à Confederação. Em pouco tempo, as notícias sobre o levante no Brasil chegavam no exterior. Nem todas as grandes nações da época haviam reconhecido a autoridade de dom Pedro I e a revolta não ajudava em nada a diplomacia. Em agosto, tropas imperiais desembarcaram em Alagoas e de lá foram para o Recife e contaram com os senhores de engenho que ajudaram a derrubar os rebeldes.

A Confederação foi extinta em 29 de novembro. Manuel de Carvalho foi poupado e fugiu para a Inglaterra, enquanto outros líderes da insurreição foram executados. No Rio de Janeiro, a Corte respirava aliviada com a manutenção de seu poder sobre todo o país. Mas vivia com medo dos pernambucanos.

Atividades

  1. Procure no dicionário o significado das seguintes palavras
  • séquito
  • supremacia
  • contundente
  • irredutíveis
  • junta
  • diplomacia

2-Por que as províncias do Brasil consideravam o Rio de Janeiro um símbolo da exploração?

3- "Em 1823, foi eleita uma Assembléia Constituinte, que se reuniu no Rio de Janeiro. Mas, em 12 de novembro, dom Pedro I ordenou seu fechamento." Pesquise no livro e explique porque a Constituição de 1823 nunca foi colocada em prática.

4- "Mas, em 25 de março de 1824, o imperador entregou ao país uma nova Constituição. No texto, dom Pedro I estava acima do povo e de qualquer instituição." Como D. Pedro garantiu a centralização dos poderes em suas mãos na Constituição de 1824?

5- O que os rebeldes de Pernambuco exigiam do governo imperial de D. Pedro I?

6- Quem foi Manuel de Carvalho? Descreva a participação desse homem na Confederação do Equador.

7- Por influência de Frei Caneca, quais províncias se uniram aos pernambucanos na Confederação?

8- Por que a primeira Constituição de 1824 foi Outorgada e não Promulgada? Pesquise e explique.

R: Porque a Constituição de 1824 foi apresentada pelo imperador que imediatamente declarou sua validade. As leis não foram discutidas e votadas. Foram determinadas. Para ser promulgada é preciso que o Congresso vote as leis e aprove. Então, o chefe de Estado declara oficialmente existente a Carta votada pelo parlamento e determina que ela seja observada por todos. A Constituição passa então a ser a lei suprema do país.

9- O fuzilamento de Frei Caneca está ligado ao seguinte fato da História do Brasil:

(a) Inconfidência Mineira

(b) Confederação do Equador X

(c) Revolta dos Canudos

(d) A Praieira

(e) Revolução Farroupilha

10- Brasileiros do Norte! Pedro de Alcântara, filho de D. João VI, rei de Portugal, a quem vós, após uma estúpida condescendência com os Brasileiros do Sul, aclamastes vosso imperador, quer descaradamente escravizar-vos. Que desaforado atrevimento de um europeu no Brasil. Acaso pensará esse estrangeiro ingrato e sem costumes que tem algum direito à Coroa, por descender da casa de Bragança na Europa, de quem já somos independentes de fato e de direito? Não há delírio igual (... )." (Ulysses de Carvalho Brandão. A CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR. Pernambuco: Publicações Oficiais, 1924).

O texto dos Confederados de 1824 revela um momento de insatisfação política contra a

(a) extinção do Poder Legislativo pela Constituição de 1824 e sua substituição pelo Poder Moderador.

(b) mudança do sistema eleitoral na Constituição de 1824, que vedava aos brasileiros o direito de se candidatar ao Parlamento, o que só era possível aos portugueses.

(c) atitude absolutista de D. Pedro I, ao dissolver a Constituinte de 1823 e outorgar uma Constituição que conferia amplos poderes ao Imperador.
X

(d) liberalização do sistema de mão-de-obra nas disposições constitucionais, por pressão do grupo português, que já não detinha o controle das grandes fazendas e da produção de açúcar.

(e) restrição às vantagens do comércio do açúcar pelo reforço do monopólio português e aumento dos tributos contidos na Carta Constitucional.

11- A Confederação do Equador, em 1824, se caracterizou como um movimento de

(a) emancipação política de Portugal.

(b) oposição à Abertura dos Portos.

(c) garantia à política inglesa.

(d) apoio aos atos do imperador.

(e) reação à política imperial. X

Postei as respostas das questões que não foram corrigidas em sala de aula.

TEXTO PARA ESTUDO - SEGUNDA GRANDE GUERRA

segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Podemos dizer que uma das principais causas da Segunda Grande Guerra foi o Tratado de Versalhes. Esse Tratado, assinado em 1919 e que encerrou oficialmente a Primeira Grande Guerra, determinava que a Alemanha assumisse a responsabilidade por ter causado a Primeira Guerra e obrigava o país a pagar uma dívida aos países prejudicados, além de outras exigências como o impedimento de formar um exército reforçado. Isso é claro, trouxe revolta aos alemães, que consideraram estas obrigações uma verdadeira humilhação.

O INÍCIO DA GUERRA
Em seu livro Mein Kampf, publicado no início dos anos 20, Adolf Hitler diz: "Chegou o dia que não mais passei de olhos vendados: reconheci os inimigos da minha raça - eram judeus ... Acabei por reconhecer os judeus pelo cheiro e, sob sua porcaria repugnante, descobri as taras morais do 'povo eleito' ".
As tropas alemãs iniciarm a busca pelo "espaço vital": anexaram a Áustria e ocuparam Tchecoslováquia, Polônia, Dinamarca, Noruega, Bélgica, Holanda, Grécia e Iugoslávia.
O início da guerra se deu quando Hitler invadiu a Polônia em setembro de 1939.
A razão desta invasão foi o fato da Polônia ter conseguido (através do Tratado de Versalhes) a posse do porto de Dantzig. Hitler não queria isso, ele queria que Dantzig fosse incorporada à Alemanha.
França, Grã-Bretanha, União Soviética e EUA formavam os Aliados, enquanto Alemanha, Japão e Itália formavam as Potências do Eixo. Itália e Alemanha eram países com governos totalitários e tinham por objetivo dominar os povos, que na opinião deles eram inferiores, e construir grandes impérios.
Nos primeiros anos da guerra, as Potências do Eixo levaram vantagem. Uma série de vitórias dos nazistas deu origem ao mito da "invencibilidade alemã". Os alemães assombraram o mundo pondo em prática a blitz-krieg (guerra-relâmpago) que consistia numa série de ataques rápidos e simultâneos desfechados por canhões de longo alcance, tanques blindados e pela Força Aérea Alemã.
Após a ocupação da França, a Inglaterra era o único país da Europa Ocidental ainda não dominado pelos alemães. Hitler decidiu iniciar a empreitada com o bombardeio aéreo de Londres. Os ingleses resistiram e contra-atacaram utilizando um moderno sistema de radares e as manobras da RAF (Royal Air Force). Diante disso, os alemães viram-se forçados a adiar a invasão do território inglês. Foi aí que Hitler se voltou para o leste e começou a planejar a conquista da gigantesca União Soviética. Preparava-se para isso quando precisou desciar parte de suas tropas a fim de socorrer Mussolini, que fracassara ao tentar dominar a Grécia.
Em 1941, o Japão atacou Pearl Harbor, uma base militar dos Estados Unidos no Havaí. Dias depois Hitler declarava guerra aos EUA. A entrada dos norte-americanos na guerra reforçou o lado dos Aliados, pois os EUA possuíam uma variedade de recursos bélicos.

AS PERDAS NAZISTAS E O FIM DA GUERRA
Hitler já se achava vencedor, quando as coisas começaram a mudar. A Alemanha atacou a União Soviética em três frentes e iniciou-se aí a mais sangrenta de todas as empreitadas militares da guerra, que durou quatro anos e custou, só aos soviéticos, a perda de 20 milhões de pessoas. Hitler deslocou suas tropas em direção ao Cáucaso, fonte de petróleo da URSS, pois foi nessa região que aconteceu a Batalha de Stalingrado (entre setembro de 42 e fevereiro de 43), que deixou mais de um milhão de nazistas mortos. A tentativa de ocupar Stalingrado foi frustrada e o restante do exército que lutava nessa frente rendeu-se aos russos em 1943.
A Batalha de Stalingrado é considerada a maior derrota alemã na guerra e os soviéticos venceram os temidos nazistas utilizando a tática conhecida como "terra arrasada", que consistia em ceder espaço, destruindo antes tudo aquilo que podia ser util ao adversário. Os soviéticos deram um ultimato ao comandante alemão, mas Hitler o proíbiu de se render. O Exército Vermelho expulsou os alemães e avançaram rumo a Berlim. Os países do Leste Europeu libertados do jugo nazista foram englobados na zona de influência soviética.
Todas estas vitórias trouxeram conflitos internos entre os fascistas e estas divergências acabaram por afastar Mussolini do poder. O seu lugar foi assumido pelo Rei Vítor Emanuel que em 1943 assinou um armistício (trégua) com os Aliados.

Os norte-americanos venceram os japoneses nas importantes batalhas navais de Midway e Mar de Coral, conseguindo barrar a ofensiva nipônica no Pacífico.
No dia 6 de junho de 1944 – chamado o Dia D – os aliados tomaram a Normandia e o cerco alemão sobre a França foi vencido. Em agosto os Aliados libertaram Paris.

A alta cúpula alemã já previa a derrota, mas Hitler não aceitava esta verdade. No mesmo ano, querendo dar fim à guerra, oficiais nazistas tentaram matar Hitler num atentado a bomba, mas falharam. A guerra prosseguia com vários ataques dos aliados e os alemães já sentiam que o fim estava próximo.

Em abril de 45, tropas aliadas – americanas, inglesas e russas – invadiram a Alemanha.
Mussolini foi capturado ao tentar fugir para a Suíça. Ele foi condenado ao fuzilamento. Sua morte se deu no dia 28 de abril de 1945, 2 dias depois Hitler se suicidou e no dia 8 de maio a Alemanha se rendeu.

Embora a guerra tenha terminado na Europa, ela continuava no pacífico e na Ásia. O Japão sofria derrotas diante dos EUA, já que não podia competir com os armamentos norte-americanos. Os japoneses estavam quase se rendendo quando no dia 6 de agosto de 45, os EUA jogaram uma bomba atômica em Hiroshima e 3 dias depois, foi a vez de Nagasaki ser destruída pela bomba.
O lançamento das bombas causou a rendição incondicional dos japoneses.

A guerra terminou em 1945 e deixou para trás mais de 40 milhões de mortos e cidades em ruínas, fora os que ficaram mutilados, sem moradia e sem família. Os Aliados instauraram o Tribunal de Nuremberg para julgar os fascistas por crimes de guerra. Os nazistas responsáveis pela morte de judeus ou civis foram condenados à morte ou à prisão perpétua.
Logo após a guerra foi fundada a ONU (Organização das Nações Unidas), localizada em Nova York.
O HOLOCAUSTO
Os nazistas eram anti-semitas. Eles odiavam judeus e queriam eliminá-los para garantir a superioridade da raça ariana. Os judeus foram enviados aos campos de concentração para serem mortos, que no total somavam mais de 6 milhões. O mais famoso campo de concentração foi o de Auschwitz (localizado na Polônia). Não foram somente os judeus que foram perseguidos. Homossexuais e ciganos também sofreram perseguições e passaram fome.

O BRASIL NA GUERRA
O Brasil participa diretamente, enviando para a Itália (região de Monte Cassino) os pracinhas da FEB, Força Expedicionária Brasileira. Os cerca de 25 mil soldados brasileiros conquistaram a região, somando uma importante vitória ao lado dos Aliados. Sua participação foi modesta, já que não tínhamos um armamento igual ao dos americanos. Mas a participação dos pracinhas foi tão importante que ao voltarem para o Brasil foram considerados heróis.


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CORONELISMO

terça-feira, 9 de junho de 2009
A expressão coronelismo surgiu como denominação dada aos fazendeiros que compunham a Guarda Nacional, no período imperial. Durante a República Velha, o termo estendeu-se aos grandes fazendeiros que controlavam a política local no mundo rural brasileiro, dominado pelo latifúndio, num universo próprio, interiorano, bem afastado das grandes cidades.
Na verdade, o coronel era a personificação mais acabada do poder privado no Brasil. Os moradores eram-lhe inteiramente obedientes, poucos ousando desafiar-lhe a autoridade ou disputar-lhe o mando, a não ser que por perto um outro coronel o desafiasse. Praticamente ninguém ao redor dele era instruído, sendo comum entre os considerados alfabetizados apenas saberem desenhar o nome no papel, o suficiente para que se tornassem eleitores fiéis dos candidatos propostos pelo coronel. Qualquer pessoa que se negasse a votar no candidato indicado pelo coronel era vítima de violência física ou perseguição pessoal. Essa medida garantia que os mesmos grupos políticos se consolidassem no poder. Com isso, os processos eleitorais no início da era republicana eram sinônimos de corrupção e conflito. Os hábitos políticos dessa época como a chamada “política dos governadores” e a política do “café-com-leite” só poderiam ser possíveis por meio da ação coronelista.
O controle do processo eleitoral por meio de tais práticas ficou conhecido como “voto de cabresto”. Observe-se que a não existência do voto secreto (adotado após a Revolução de 1930), facilitava o controle sobre o eleitor, aumentando-lhe o constrangimento. A fraude, portanto, imperava na época da República Velha. O coronelismo podia contar com a adoção de métodos coercitivos, ameaçadores, e até criminosos. O coronel geralmente contava com o pistoleiro contratado para atuar a seu serviço, ou um grupo de jagunços dedicados ao ofício das armas que serviam-lhe como um pequeno exército particular, vivendo à sombra da sua autoridade. Simultaneamente utilizam-se da máquina do poder e da boa fé dos cidadãos para garantir à população residente em seu domínio eleitoral uma educação básica de péssima qualidade, não permitindo a esse povo perceber o seu estado de absoluta alienação. Arrumar emprego, conduzir os filhos dos caboclos para o batismo, doar remédios e cachaça, eram formas de trocar favores por voto. Por não perceberem essa manipulação, os "coronéis" eram vistos pelos eleitores como os "bons homens", "aqueles que fazem tudo por nós".
Após 1930, o coronelismo perdeu espaço com a modernização dos centros urbanos e a ascensão de novos grupos sociais. Apesar do desaparecimento dos coronéis, podemos constatar que algumas de suas práticas se fazem presentes na cultura política do nosso país. Essa política de apadrinhamento e coronelismo decorre até os dias de hoje principalmente nas cidades do interior onde a população é mais pobre e carente, tornando-se mais facilmente manipulada. A troca de favores entre chefes de partido e a compra de votos são dois claros exemplos de como o poder econômico e político ainda impedem a consolidação de princípios morais definidos nos processos eleitorais e na ação dos nossos representantes políticos.
Estudar esse texto para a prova!!


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